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quarta-feira, 11 de novembro de 2015

O que te emociona?

   Difícil descrever a emoção não é? É uma coisa que acontece no teu íntimo mas que se reflete de uma forma estranha, dá vontade de chorar as vezes, outras causa espanto, te faz sentir feliz, causa tristeza ou estranheza. O caso é que a emoção nos faz viver com uma intensidade maior. Se algo te emociona, aquilo não "passa batido". Você para para observar e outras vezes para agir. A pintura me emociona, tanto o ato de pintar, de pegar um pedaço de tecido branco e através da cor dar vida, como também observar a pintura. Quero compartilhar aqui algumas poucas das muitas que me emocionam.




  Paisagem Paranaense de Theodoro de Bona.Óleo sobre tela. Sem data. Me emociona a cerca de madeira, os campos, o tipo de vegetação. Me faz lembrar minha infância, Me emociona ver como ele pintou. Há pequenos espaços brancos, posso ver a rapidez e a certeza da pincelada. Posso ver a segurança do que ele pretendia em cada cor.






  Indo um pouco mais longe, no Museu d'Orsay, encontra-se e tela "Os raspadores de assoalho" de Gustave Caillebotte, de 1875. A obra é grande, 102 cm x 146,5 cm e está em uma parede logo a entrada da sala dos impressionistas. O que me emociona nesta tela, são os reflexos, a maneira como o assoalho adquire vários tons de azuis os pontos de luz, o equilíbrio entre as linhas retas do assoalho e da parede em contraste com as linhas curvas da sacada e dos corpos. Causa sim um certo espanto e estranheza.







  Me emociona também a escultura de Bernini. Como pode uma pedra ser tão macia? "O rapto de Proserpina" de Gian Lorenzo Bernini. Mármore. 1621 - 1622.





  Talvez somente aqueles que já trabalharam com muitos verdes na mesma tela saibam apreciar a beleza desta obra de Joseph Paquet. "Cruzamento em Bubbling Springs". Óleo sobre tela, 61 cm por 76 cm. Me emociona a simplicidade da composição e a maestria na execução. Ainda poderia citar muitas obras aqui e acho que o farei em breve em um novo post, mas vejam que ideia legal teve o Museu Rijksmuseum de Amsterdã. Este museu está pedindo que os visitantes parem de fotografar as obras mas, que ao invés as desenhe. Para tanto disponibiliza lápis e papel para os todos os interessados, com isso eles querem que os visitantes entrem em contato verdadeiramente com a beleza das obras.

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Lembrando o tempo da "BELAS"

Uma coisa puxa a outra..... enquanto estava dando aula na semana passada, encontrei uma imagem da pintura de Caspar David Friedrich, o que me fez lembrar do tempo em que cursava a Belas Artes, ainda no prédio da Emiliano Perneta, bons tempos aqueles. Mas enfim, ao encontrar esta imagem,

uma pintura realizada por este artista alemão, datada de 1823-24, lembrei de um trabalho de escultura que nós tínhamos que fazer. Deveríamos fazer uma escultura com placas, poderiam ser de metal, madeira, plástico, enfim não importava o material. Optei por placas de metal e iria então criar algo tendo como base um caleidoscópio. Estava então em casa "quebrando a cabeça" pra resolver aquela questão, arrependida de ter escolhido madeira como material. Era um dia frio e pensei "Ah, que vontade de largar tudo e fazer bolachas". Aí me veio uma ideia, "porque não faço uma escultura com placas de bolacha?" Não demorou muito e a casa se encheu do delicioso aroma de bolachas de mel com gengibre e especiarias. Recriei a tela "O mar de gelo" de Caspar David Friedrich em escultura de placas de bolacha, placas de açúcar derretido e suspiro. Agora sim, um trabalho que era uma extensão de mim mesma, que falava da cultura com a qual estou mais familiarizada. No final é isso, a obra de um artista é só uma extensão dele mesmo. Ah! e a turma provou e aprovou a escultura também.



sábado, 5 de setembro de 2015

Será que são só rabiscos?

Sabe aquela aula que não passa, ou quando você liga para um número e te colocam pra esperar na linha? O que você faz? Aposto que se tiver caneta e papel por perto você começa a rabiscar alguma coisa; e não é que algumas vezes o desenho fica interessante sem querer? Estes desenhos ou rabiscos podem ganhar um toque de genialidade se você os colocar sob uma outra superfície, pode ser uma parede, uma almofada, um abajur, uma sacola, uma capinha de celular, no espelho do banheiro .....as opções são muitas. Já pensou na ideia? Eu fiz isso na minha maleta de pintura. 




Pintei a maleta com tinta óleo e depois de seca fiz os desenhos com uma caneta chamada POSCA. Com esta caneta é possível desenhar sobre qualquer tipo de superfície. 










Escolhi esta imagem da internet só pra mostrar o potencial da ideia. O difícil agora vai ser achar tempo pra colocar em prática.




















Customizar tênis também vale. O que não pode é virar motivo de estresse.





























segunda-feira, 13 de julho de 2015

Antes e Depois

Talvez o que você esteja vendo ao olhar para uma pintura não seja exatamente o que o autor gostaria que você visse. Muitas obras de arte antigas não conservam as cores originais. Isto pode ocorrer por alguns motivos. Após a pintura ter sido concluída costumava-se passar um verniz para proteger a obra. Este verniz pode amarelar alterando assim as cores. Outras vezes foi apenas a sujeira de anos que se acumulou. Mas um meticuloso trabalho de restauro pode devolver as cores originais o obra. Selecionei aqui algumas imagens que mostram obras antes e depois de serem restauradas.


Obra de Rafael da época do Renascimento italiano. Leia Mais:http://cultura.estadao.com.br/noticias/geral,obra-prima-de-rafael-e-exibida-apos-10-anos-de-restauracao,265859Leia Mais:http://cultura.estadao.com.br/noticias/geral,obra-prima-de-rafael-e-exibida-apos-10-anos-de-restauracao,265859Leia Mais:http://cultura.estadao.com.br/noticias/geral,obra-prima-de-rafael-e-exibida-apos-10-anos-de-restauracao,265859Rafael que viveu entre 1483 e 1520, pintou este quadro por volta de 1506 como presente de casamento. "A virgem e o pintassilgo" representa Maria com duas crianças, uma Jesus Cristo e a outra João Batista.

















A obra que sofreu todo tipo de avaria, passou por uma restauração de 10 anos.
Agora pode-se ver os tons de azul do céu aparecendo e a o riacho passando ao fundo desta paisagem toscana. As faces da Madona voltaram a ser rosadas e o vestido de um vermelho intenso trás o destaque devido. Atualmente encontra-se na Galleria degli Uffizi na Florença.



Se o antes e depois da primeira obra já é impressionante, a que mostro a seguir é ainda mais.


"Os pescadores" do pintor francês Claude-Joseph Vernet. Pintura do século XVIII antes do restauro.















Agora sim a paisagem mostra o entardecer com uma luz rosada que domina toda a paisagem. Pode-se até ver os pássaros voando e a história se desenvolvendo no primeiro plano.











A restauração mais impressionante do meu ponto de vista é a da Capela Sistina situada no Vaticano. Sua decoração em afrescos, pintada pelos maiores artistas da Renascença, incluindo Michelangelo, Rafael, Bernini e Sandro Botticelli foi realizada nos anos de 1477- 1480.









Detalhe da Pintura da Capela que passou por diversos restauros, mas o mais significativo foi o que começou em 1980 e foi concluído em 1999. A remoção da sujeira fez aparecer as cores vibrantes.






"A Criação" de Michelangelo, pintado no centro do teto da capela antes do restauro.









A mesma imagem após o restauro. Esta restauração mais recente teve um efeito profundo sobre os amantes da arte e historiadores, quando cores e detalhes que não tinham sido vistos por séculos foram descobertos.stadão All Digital + Impresso todos os dias Diz-se que todos     Diz-se 
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terça-feira, 30 de junho de 2015

Casa Cor SP 2015

Interessante essa coisa de morar. Como investimos tempo e dinheiro em criar um ambiente que nos faça sentir bem, relaxar e desfrutar a vida simplesmente estando em casa. Dizem que a gente viaja o mundo só pra descobrir que o melhor é voltar pra casa. Gosto de visitar a Casa Cor, ver o que há de novo e o que, como dizia a minha vó "quando a tigela está cheia, a gente derruba tudo fora e começa de novo" está sendo recriado. Ainda não vistei a de Curitiba, mas dei uma olhada na de São Paulo e me alegrei ao ver as paredes novamente sustentando quadros. A alguns anos parecia que só havia lugar para papel de parede ou outros tantos revestimentos. Com um olhar sobre o jeito brasileiro de viver achei esta edição da Casa Cor SP bem acolhedora. 



Alguns quadros que estão na parede dos fundos são na verdade molduras para livros. Você pode remover o vidro, abrir o livro em outra página, recolocar o vidro e assim terá uma nova gravura na parede. Genial. Ambiente decorado por Bruno Gap.






Obras de arte de artistas renomados e anônimos integram os espaços de maneira suave a elegante. Ambiente projetado pela decoradora Myrna Porcaro.







Fotografias também aparecem em vários ambientes. Esta de Araquém Alcântara no ambiente decorado por Dado Castello Branco.
















Em breve visitarei a Casa Cor Paraná. Espero encontrar por aqui paredes tão agradáveis como as que mostrei acima.


segunda-feira, 15 de junho de 2015

Investir em Arte 2

E o que a Mona Lisa de Leonardo Da Vinci e o Abaporu de Tarsila do Amaral tem em comum? Mona Lisa, conhecida como a obra prima deste pintor italiano pintada em 1503, não se encontra na Itália como é bem sabido e sim em Paris no Museu do Louvre.  Abaporu, obra que representa bem a arte brasileira, pintada em 1928, sendo ícone da Arte Madernista brasileira também não se encontra no Brasil, mas sim em nossa vizinha Argentina no Museu Malba. Mas como este quadros forma parar nestes lugares? Leonardo da Vinci passou os últimos anos vivendo na França pra onde ele levou a Mona Lisa, que consta também como sendo o seu quadro preferido. Na França esta pintura foi comprada por Francisco I da França. Mas a Mona Lisa ganhou grande destaque e se tornou realmente conhecida em 1911 quando foi roubada por um italiano que queria vê-la novamente em seu país de origem. Já o Abaporu está na Argentina porque foi comprado por  um investidor em arte, chamado Eduardo Constantini (proprietário do Malba) em 1995. 


Mona Lisa. Pintura a óleo sobre madeira de álamo. Tamanho 77 cm x 53 cm.























A tela no Museu do Louvre.




















Abaporu. Óleo sobre tela. Tamanho 85 cm x 72 cm. A tela no Malba - Museu de Arte Latinoamericana de Buenos Aires.













Para começar a investir em arte não são necessários muitos dólares mas sim um olhar atento. Eduardo Constantini também começou assim.

ISTOÉ -
 Por que o sr. começou a colecionar arte?
EDUARDO COSTANTINI -
 A primeira vez que pus os pés em uma exposição foi em 1968, eu tinha então 22 anos. Havia uma galeria de arte chamada Atelier, a duas quadras da minha casa em Acassuso, província de Buenos Aires, onde um dia eu vi, pela janela, o trabalho do artista argentino Antonio Berni (1905-1981), de seu último período. Voltei à galeria dias depois para perguntar o preço. Eu não tinha dinheiro suficiente para comprar a pintura, uma vez que tinha acabado de começar a trabalhar, então eu comprei dois trabalhos menores de Leopoldo Presas e Ivan Vasileff. E paguei em prestações. A compra desses dois trabalhos foi o começo, mas depois continuei comprando arte esporadicamente. Naquela época, eu não tinha ideia de que um dia me tornaria um colecionador.   texto extraído da revista Isto é 06.Set.14 














quinta-feira, 11 de junho de 2015

Investir em Arte

Estou conhecendo um pouco sobre restauro de obras de arte, para ser mais específica, sobre restauro de pinturas em tela. E a história começa assim.... Recentemente tive a oportunidade de tentar restaurar duas pintura a óleo de um amigo, achei que não seria algo tão difícil. Peguei meus livros da época da faculdade, procurei por informações na internet mas, ao colocar em prática não funcionaram. Plano B, procurar ajuda profissional. Fui em busca do professor de restauro que tive nas Belas Artes, Alan S. Hanke e com sua ajuda e a ajuda da restauradora Maria Cecília  e Aline tenho aprendido muito. As telas precisavam de um reentelamento, de limpeza, de preenchimento e somente depois começa a recomposição da imagem. Sim, em Curitiba há gente que leva isso muito a sério e tem sido muito bom conhecer este ramo e o cuidado e profissionalismo que o restauro envolve. Mas, em uma conversa com a Sra. Maria Cecília lhe perguntei se nesta época de crise no Brasil ainda há gente que investe em arte e ela me respondeu que sim. Nesta época de incertezas econômicas, onde não se sabe no que é seguro investir a arte tem sido uma boa escolha. E você, já pensou em investir em arte? No próximo post vou comentar um pouco mais sobre o assunto.



Imagem 1 . Tela com desgaste e perda de camada pictórica.

















Tela 2 . Cavalo azul. Tela com manchas devido a umidade e um pequeno rasgo na altura do olho. Esta parecia ser bem menos trabalhosa.



















Imagens foram retiradas de seus antigos bastidores e neste momento estavam prontas para o reentelamento. Primeiramente a imagem precisava ser fixada, pois ao mais leve toque estava se soltando do suporte (tecido de algodão).


















Ema vez reenteladas e presas em novos bastidores segue-se a próxima etapa, limpeza e remoção do verniz, que neste caso, com o passar dos anos alterou as cores originais da obra. Ainda há muito trabalho pela frente, mas é bom conhecer coisas novas, pessoas novas e tudo isso envolvido em assunto que gosto muito. ARTE. 







segunda-feira, 18 de maio de 2015

Honra a quem merece honra

Sabe aquele dia em que as coisas definitivamente parecem não dar certo? Pois é, numa segunda-feira foi este dia pra mim. Estava fazendo um lanche com meu filho no Sr. Garibaldi  do Shopping Cristal, depois corri de um lado para o outro a fim de conseguir cumprir com meus compromissos, mas de repente notei que estava sem minha carteira. E agora? Onde a havia deixado? Lembrei que a última vez que a tinha usado era neste estabelecimento. Como estava meio distraída, consegui bater o carro (nada grave). Quando cheguei ao Sr. Garibaldi a moça que me atendeu ainda estava lá. Perguntei quanto à minha carteira. Ela então abriu a gaveta e disse que estava lá sim, me devolveu e eu, como sinal de honra e de respeito por seu gesto honesto gostaria de deixar registrada aqui minha gratidão. Vivemos sim em um país de gente honesta. Que esta atitude possa ser contagiante.


Aqui está Monaine, a quem quero deixar meu agradecimento. Hoje passei por lá novamente e a presenteei com uma tela.

sábado, 2 de maio de 2015

Inspiração

Os impressionistas, com suas pinturas cheias de luz e cores, realmente são os que mais admiro. Recentemente tive o privilégio de conhecer os Jardins e a casa de Claude Monet. Amei. E, inspirada neste grande artista aproveitei esta calma tarde de outono para retratar algumas ninféias. Acredito esta foi apenas a primeira de muitas telas que pintarei com este motivo.  Diz o ditado: "a boca fala do o coração está cheio", no meu caso, as telas mostram do que o coração está cheio. De alegria e de gratidão por pintar rodeada de pessoas queridas, enquanto escuto as crianças brincando, sabendo que tudo é um presente do imenso amor de Deus.




















E aqui está a tela que pintei hoje. Óleo sobre tela, 20x 30, plein air.












E se quiser conhecer um pouco mais sobre Monet, seus jardins e suas pinturas, escolhi este texto que extraí da revista "Casa e Jardim"  http://revistacasaejardim.globo.com/Casa-e-Jardim/Paisagismo/Jardim/noticia/2013/05/jardins-de-monet-eles-existem.html

Apaixonado pela natureza, o pintor impressionista francês Claude Monet (1840-1926) iniciou o seu próprio jardim logo que se mudou de Paris para Giverny, em 1883. Ele alugou uma casa num grande terreno, de 8.100 m², em que poderia criar suas oito crianças, ficando perto de uma boa escola infantil e de Paris, onde eram negociadas as suas obras. A pequena Giverny, um vilarejo bucólico, na época com 300 habitantes e a cerca de 70 km da capital francesa, impressionou e muito Monet. A natureza, as flores e a luz brincavam de revelar e esconder as cores e os aromas, fascinando o artista e criando o início de uma relação de cumplicidade, emoção e arte. Arte ao ar livre.
Com o sucesso de suas vendas, em 1890, Monet comprou o terreno e foi lentamente adquirindo algumas terras à volta de sua propriedade, criando um paraíso natural com a ajuda de uma equipe de dez jardineiros e três motoristas. O artista plantou inúmeras espécies de flores, plantas ornamentais e árvores frutíferas. Criou espontaneamente dois jardins – Jardim d'Água e Jardim da Normandia – e deixou que a natureza se encarregasse de ditar a beleza e a estética visual do lugar.
Esta é a famosa ponte japonesa, retratada por Monet em 45 obras. Os barcos eram utilizados como apoio na manutenção e limpeza das águas. O artista sempre utilizou o lago como espelho e jogo de reflexões em suas criações e representações de cores, luzes e  (Foto: Fernando Grilli)
Claude Monet descansa em seu Jardim d'Água (Foto: Divulgação)

“Quando estava fora de casa, Monet sentia falta de sua companheira (Camille Doncieux), de suas crianças, de seus ateliês, de seus dois jardins e principalmente de suas flores. Ele tomava sempre um banho gelado matinal e um café reforçado na companhia de um de seus filhos, antes de começar o seu dia de trabalho. Em seguida, abria a porta da cozinha e saía para trabalhar em seus jardins, onde tudo respirava e tinha vida e onde o tempo parava”, diz Claire Joyes, esposa do bisneto de Claude Monet e escritora das principais biografias do artista.
Gilbert Vahé, chefe do jardim deMonet desde a sua restauração, em 1977, conta que o pintor “sempre se sentiu um paisagista e gostava de apresentar-se como tal”. Vahé explica melhor: “Ele aproveitava cada momento, cada diferença, cada contraste de luz, cores e florações para retratar perfeitamente os seus jardins em suas obras”.
Somente do Jardim d’Água, Monet pintou mais de 272 obras catalogadas, durante 20 anos de trabalho. A sua ponte japonesa foi retratada 45 vezes, com diversas luzes e cenários naturais. Amante das cores do mar e das águas, o artista dizia que cada momento correspondia a uma relação da natureza com a luz, com as sombras e com os reflexos das plantas nas águas. Naqueles jardins nunca houve espaço para monotonia.
"Mesmo sendo os jardins as principais áreas de sua moradia, Monet adorava a cozinha e a sala de jantar, onde recebia seus amigos, mantendo-os sempre por perto", explica Claire Joyes. Clemanceau, Mebeau, Cézane, Rodin, Truffaut e diversos outros nomes das artes e da política eram alguns dos frequentadores assíduos da residência, onde o artista preparava, em sua grande e moderna cozinha azul, pratos da culinária inglesa, que tanto amava. Após as refeições, faziam passeio pelos jardins, que davam aos visitantes a sensação de estarem penetrando dentro das obras de Monet e, mais ainda, dentro da intimidade do artista com a natureza. O pintor muito discutia com seu amigo Georges Truffaut, o famoso paisagista francês, a estrutura dos jardins. Apesar de sempre dizer que não tinha espécies de sua preferência, consideram-se os lírios-d’água, as íris e as herbácias as suas preferidas, por serem as mais vistas em suas obras.
Hoje em dia, o jardim-patrimônio deixado por Monet, preservado como na época do mestre, pode ser contemplado em Giverny, na França. Ele nos faz entender a relação do artista com as suas obras e pensar na emoção de nossa própria relação como verde, impondo-nos a necessidade de uma constante preservação da maior obra de arte doada à humanidade, a natureza.Acima, as ninfeias, ainda sem flor, espalham-se pelo lago. Ao fundo, a casa do pintor, cercada de um mundo de espécies catalogadas, mais de 1.800. As plantas enchem de cores e aromas o imenso jardim (Foto: Fernando Grilli)

domingo, 29 de março de 2015

Momentos

"No futuro você não lembrará dos dias e sim dos momentos."

As vezes conseguimos registrar  os momentos especiais, outros ficam na memória. Aqui quero deixar o registro de uma viagem, mas ao invés de fazer isto em fotos vou fazer rápidos croquis. Me acompanhe e veja se consegue descobrir onde estou.



Longas horas de espera pela conexão resultaram no primeiro croqui.
Técnica: nanquim













E não é que a vida é feita de momentos mesmo? Ontem não consegui fazer um croqui durante o dia, assim fui ao lobby do hotel e procurei uma cena para desenhar. Comecei pelas orquídeas e a coluna, mas nos sofás havia uma família encantadora, me deparei com a avó brincando com a netinha, enquanto o avô observava até que foi envolvido também pelas brincadeiras da netinha. Não resisti, tentei registrar aquele momento de pura ternura lembrando do carinho que existe entre avós e netos e claro, minhas lembranças me levaram a recordar-me de momentos especiais que passei com meus avós. O nome desta menininha é Clara Sophia, que carinhosamente chamava o vovó de momo. 



Técnica: nanquim





A previsão para hoje era de chuva, mas Deus nos surpreendeu com dia muito agradável, sol entre nuvens, mas.....frio, muito frio. Assim aproveitei para estender um pouco mais a hora do almoço. Pedi uma xícara de chá e fiz meu croqui de dentro do restaurante mesmo. Me senti o máximo fazendo um croqui numa cidade que respira arte.



Técnica: lápis grafite







































Um dia cheio de cor. Assim definiria meu dia hoje. Visitei museus e vi tantas pinturas lindas, principalmente dos impressionistas, que me inspirei na cor para fazer o croqui de hoje. Ao sair do museu o sol apareceu e ao passar por um jardim cheio de tulipas pude sentir a primavera no ar.




Técnica: pastel oleoso






Saindo um pouquinho de Paris, mais ao norte fica Giverny. Visitando este lugar não é difícil entender a razão pela qual Monet a escolheu para morar. Um lugar bucólico e repleto de casinhas e pessoas gentis. Aliás, tenho que deixar registrado aqui que as pessoas que encontramos na França foram todas muito gentis e são educadíssimas. Visitar a casa deste pintor e seus jardins me inspiraram a fazer o croqui de hoje. 

Monet não é nada mais do que um olho… mas que olho! (Cézanne)




Lago dos jardins de Monet
Técnica: lápis grafite, nanquim e pastel oleoso.










É de tirar o fôlego, não é?












Não fui a única a me sentir inspirada.










Deixamos a Cidade Luz e seguimos rumo ao sul. Enquanto a paisagem mudava de cosmopolita para extremamente rural pude verificar pelo capricho nas plantações ao longo do caminho, a importância que se dá a qualidade na alimentação neste país. E o que se faz em um trem durante três horas? Entre outras coisas, um croqui é claro. 



Técnica: lápis grafite.












Pense em um lugar onde Deus caprichou. Encostas de pedra, salpicadas por uma vegetação colorida. Lá em baixo o mar quase transparente em diversos tons de azul. Sim, a Riviera Francesa é linda. Enquanto esperava o almoço na pra Garibaldi, aproveitei para fazer o croqui. Ah! E aqui vai uma dica, do pouco que vivenciei, sobre restaurantes na França. Escolha qualquer restaurante caprichadinho, entre e peça qualquer coisa. Tudo é delicioso; ou isto é uma verdade ou acertamos na loteria.



Toda a praça é rodeada por esta construção amarela, que guarda um segredo.















Técnica: lápis de cor aquarelável. Agora repare da decoração ao redor, das janelas, somente a do último andar é real, dos outros é uma pintura chamada tromp d'oile que significa "enganar o olho". Muito bem feita, detalhes que merecem ser apreciados.




Mais tarde no hotel aquarelei o lápis de cor, pois no restaurante que estava, o prato foi servido e afinal de contas, esta viagem tem um motivo......
















...estamos comemorando 25 anos de casamento.










Andamos alguns quilômetros apenas e cruzamos a fronteira. Ao invés do costumeiro bonjour agora ouço buongiorno. A paisagem foi se transformando e nas encostas agora vejo muitas oliveiras e também estufas de vidro. Lá em baixo, ao longe, o mar, sempre o mar. Depois de longa viagem rumo ao interior e algumas paradas chegamos a Milão. Já é tarde e por isso faço apenas um croqui da luminária. Boa noite.
































Deus sabe mesmo como me agradar. Hoje, domingo de Páscoa comentei com meu marido que não queria passar o dia passeando ou mesmo fazer compras, queria sim tirar um tempo para meditar na grandeza do que a Páscoa significa. Assim decidimos apenas ir a praça central onde fica a Catedral de Milão. Quando entramos estava sendo celebrada a missa de Páscoa e me alegrei ao escutar "Cristo è risorto, egli veramente risorto." Decidi que faria o croqui lá mesmo. E assim fiz; a música que eu ouvia? Canto gregoriano acompanhado por um órgão magnífico. Sim Deus sabe mesmo como surpreender seus filhos.




Técnica: nanquim

















E a viagem continua, ontem passamos o dia no carro, saímos da Itália, cruzamos a Suíça de sul a norte. Subimos e subimos as montanhas e quando passamos delas chegamos a Áustria, demos uma passadinha em Lichtenstein e já bem a noite chegamos ao nosso destino, a Alemanha. A viagem foi lenta pois nevou muito. Não sobrou energia pra fazer um croqui.

April, April, der weiß nicht was er will. 
Mal Regen und mal Sonnenschein,
Dann schneit's auch wieder zwischendrein.
April, April, der weiß nicht was er will.


Esta é parte de um pequeno poema em alemão que diz "Abril, abril, ele não sabe o que quer, Uma vez chuva e uma vez sol, Então neva ainda de vez em quando, Abril, abril, ele não sabe o que quer." Exatamente isso aconteceu no dia de ontem e hoje. Amanheceu e quando olhamos pela janela caíam ainda alguns flocos de neve, mas logo o tempo abriu e o céu azul predominou. A paisagem era linda. Fomos rumo a um Castelo de Contos de Fada e lá fiz os dois croquis.



Técnica: lápis grafite e nanquim. Castelo de muitas torres. Este croqui fiz enquanto esperava ainda fora.






















Enquanto esperava a vez para poder conhecer o castelo por dentro, aproveitei para fazer mais um croqui. A paisagem ao redor já é linda, mas coberta de neve........! não cansava de olhar.













Técnica: lápis de cor aquarelável. Mais torres neste croqui, este castelo serviu de inspiração para o Castelo da Cinderela da Disney.


















Quando chegamos na região do Tirol, há dois atrás, estava anoitecendo e nevando muito e assim o jeito foi procurar um lugar onde pudéssemos tomar uma sopa. Ao nos atender o tirolês disse que Napoleão, quando visitou aquela parte da Europa, havia comentado "O que esta gente maluca faz aqui? Durante nove meses é inverno e nos outros três chove." A neve passou, pudemos curtir as montanhas branquinhas e acompanhada de enorme xícara de capucino, sim porque as porções por aqui são sempre generosas, fiz um rápido croqui dos Alpes com as construções germânicas a frente.





Técnica: caneta e lápis de cor.













Deixamos a Alemanha pra trás e após uma longa viagem retornamos a França. Conhecemos um pouco da região de Dijon, atravessamos vastos campos de mostarda, vimos os parreirais que ainda parecem adormecidos e no meio desta paisagem fiz o último croqui desta viagem. As pequenas vilas são um charme mas entre as 12:00 e 14:00 não se encontra ninguém, estabelecimentos fecham e o jeito é esperar e entrar no clima. Então aproveitei pra desenhar e apreciar. Agora ficam as lembranças e a vontade de retornar, mas desta vez com telas, tintas e pincéis.





Enquanto o meu marido conhecia a vinícola eu aproveitava os últimos momentos.














Técnica: lápis grafite.