domingo, 1 de novembro de 2015

Essa eu não podia deixar passar

No meio artístico há este debate sobre arte contemporânea e no meu ponto de vista este nome, ARTE CONTEMPORÂNEA, é absolutamente inconveniente. A definição de contemporâneo é o que ou aquele que é do mesmo tempo, da mesma época em que vivemos. Assim sendo, Leonardo da Vinci fez arte contemporânea, assim como Vincent van Gogh e sim eu também, faço arte contemporânea, embora não pareça, pois por incrível que seja por não usar suportes ou materiais inusitados ou por não defender uma ideia intelectualizada não me encaixo neste rótulo. Vou fechar a questão com esta frase de João Carlos Lopes dos Santos. "Não é a obra de arte que tem que parecer contemporânea, são os artistas que tem que ter o coração contemporâneo e a cabeça na atualidade."   Conversando aqui e ali vejo que as pessoas querem admirar a arte como algo que poucos conseguem executar, algo que exige habilidades específicas em talhar, desenhar, colar, pintar e aliado a isso um olhar sensível, porém sentem-se distantes desta arte apresentada por aí e acabam deixando de frequentar galerias e museus para não passarem por ignorantes. Que pena! Já em 29.12.2001 o poeta e escritor mineiro Affonso Romano de Sant'Anna escreveu uma crônica Arte:Equívoco Alarmante publicado no O Globo: "Sobretudo nas 'artes plásticas', nos últimos anos tornou-se evidente um fosso entre o público e as obras apresentadas como artísticas."


Pois bem aconteceu recentemente na Itália. O pessoal da limpeza não entendeu que se tratava de uma instalação e confundiu a obra de arte "Onde vamos dançar esta noite?" com lixo. Você já pode imaginar onde tudo isso foi parar não é? Obra exposta no Museu de Arte Contemporânea de Bolzano - Itália.






Somente uma pequena reflexão sobre um tema abrangente.




segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Lembrando o tempo da "BELAS"

Uma coisa puxa a outra..... enquanto estava dando aula na semana passada, encontrei uma imagem da pintura de Caspar David Friedrich, o que me fez lembrar do tempo em que cursava a Belas Artes, ainda no prédio da Emiliano Perneta, bons tempos aqueles. Mas enfim, ao encontrar esta imagem,

uma pintura realizada por este artista alemão, datada de 1823-24, lembrei de um trabalho de escultura que nós tínhamos que fazer. Deveríamos fazer uma escultura com placas, poderiam ser de metal, madeira, plástico, enfim não importava o material. Optei por placas de metal e iria então criar algo tendo como base um caleidoscópio. Estava então em casa "quebrando a cabeça" pra resolver aquela questão, arrependida de ter escolhido madeira como material. Era um dia frio e pensei "Ah, que vontade de largar tudo e fazer bolachas". Aí me veio uma ideia, "porque não faço uma escultura com placas de bolacha?" Não demorou muito e a casa se encheu do delicioso aroma de bolachas de mel com gengibre e especiarias. Recriei a tela "O mar de gelo" de Caspar David Friedrich em escultura de placas de bolacha, placas de açúcar derretido e suspiro. Agora sim, um trabalho que era uma extensão de mim mesma, que falava da cultura com a qual estou mais familiarizada. No final é isso, a obra de um artista é só uma extensão dele mesmo. Ah! e a turma provou e aprovou a escultura também.



sábado, 10 de outubro de 2015

Imensa Alegria

Se pintar não fosse tão complicado, não seria tão divertido. Edgar Degas

Ser complicado não é desafio suficiente para esta turma que sabe pintar e pintar muito bem. Hoje é dia deles. Fiquei tão feliz com o resultado dos meus alunos, que preparei uma exposição. Comemoramos a abertura com um delicioso almoço no Restaurante Doce de Cidra, (rua Cândido Xavier 521) onde se encontra a exposição. A exposição ficará lá durante este mês de outubro. Os artistas:
  • Ana Julia Toporoski
  • Gabriela Wieler
  • Helena Stroparo Costa
  • Kael Andreas Pauls
  • Laura Lowen
  • Rubia Miriam Koch




Flores entre as flores, Ana Julia, Gabriela e Laura comigo na janela do Restaurante Doce de Cidra.





















Artista: Ana Julia Toporosky
Obra: Paisagem de neve
Dimensão: 20 x 30
Técnica: Óleo sobre tela



Artista: Gabriela Wieler
Obra: Cachoeira
Dimensão: 30 x 40
Técnica: Óleo sobre tela









Artista: Laura Lowen
Obra: Paisagem com riacho
Dimensão: 30 x 40
Técnica: Óleo sobre tela




Artista: Helena Stroparo Costa
Obra: Campo com flores
Dimensão: 20 x 30

Técnica: Óleo sobre tela



Ao fundo a tela da Rúbia.
Artista: Rubia Miriam Koch
Obra: Flamingo
Dimensão: 30 x 40
Técnica: Óleo sobre tela


Familiares prestigiando os artistas. Ao fundo a tela do Kael.
Artista: Kael Andreas Pauls
Obra: O Tigre
Dimensão: 50 x 70
Técnica: Óleo sobre tela












sábado, 3 de outubro de 2015

Nem tudo está perdido

Depois de uma manhã pintando em companhia dos colegas dos Croquis Urbanos Curitiba ao redor do lago da Universidade Positivo, algo deu errado. Perdi minha tela, isso mesmo, consegui perder a tela que havia terminado de pintar. Como assim? Então, no dia 13 de setembro, uma manhã bem gelada em Curitiba fomos convidados a retratar o Templo da Paz, pequena capela projetada por Manoel Coelho que fica "boiando" sobre o lago da Universidade. Achei que a estrutura da capela ficaria esquisita em uma pintura a óleo, assim resolvi retratar a cena ao redor do lago. Fiquei bem feliz por ter conseguido terminar a tela em duas horas, pinceladas fragmentadas em uma tela quase monocromática. Após duas horas de trabalho, todos admiramos o trabalho dos colegas. Tivemos neste dia a presença do próprio arquiteto Manoel Coelho entre nós, tiramos fotos, foram sorteados livros e então fomos embora novamente. Juntei as "tralhas"; cadeira, bolsa, maleta de tinta, tela, óculos e fui pro carro. Deixei a tela em cima do carro enquanto ia guardando o restante das coisas e adivinha? Claro, esqueci a tela lá, (quem me conhece, nem estranha). Bem, esta tela, juntamente com os croquis de todos envolvidos, era para ser exposta na própria Universidade, assim decidi pintar outra, mas como não voltaria para o local, desta vez foi de uma fotografia mesmo. Usei então uma imagem do fotógrafo Valmir Singh onde retratei a antiga pintura em uma nova pintura. Amei o resultado e fiquei feliz por não ter desistido.



Aqui está a segunda tela finalizada e a estrutura do Templo da Paz se encaixou bem na cena, eu achei. óleo sobre tela. 20 x 30.













A primeira tela, inclusive assinada, espero que aquele que tenha a achado, goste. Foto de Valmir Singh.















Uma visão geral do lago e do campus da Universidade Positivo. Foto de Valmir Sing.













Os participantes do encontro 133 dos Croquis Urbanos Curitiba. Foto de Regina Oleski.

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Já ouviu algo sobre Alfred Sisley?

Em maio deste ano tive a oportunidade de conhecer o Museu d'Orsay. Depois de 1 hora na fila no frio entrei e fui logo ao último andar, para a Ala dos Impressionistas. Chegando lá me deparei com uma multidão querendo ver o mesmo que eu, os famosos quadros de Renoir, Monet, Manet e Degas, depois me toquei que o d'Orsay estava mais cheio neste dia pois o Louvre fecha na terça, exatamente o dia em questão. Mas a questão é que uma vez lá, me deparei com as pinturas de Alfred Sisley e fiquei encantada com um aspecto, as pinturas expressavam exatamente a hora do dia, a estação do ano e a temperatura do ar. Um desafio pessoal como pintora de plein air. Não basta acertar a forma, mas tento transmitir a sensação do dia e nisto Alfred Sisley no meu ponto de vista acertou em cheio.



Tudo bem que o título da obra ajuda, mas mesmo antes de vê-lo já pode se notar que é um dia agradável de temperaturas amenas de primavera. "Antes do verão em Saint Mammes. Óleo sobre tela. 49 x 65 cm. Pintado em 1883.










E aqui, nesta tarde quente de verão, quase posso ouvir as cigarras cantando. "Campina". Óleo sobre tela. 55 x 73 cm. Pintado em 1875













Esta tela demonstra uma tarde de inverno. A luz quente da tarde produz sombras luminosas bem retratadas com um toque de violeta, complementando a cor amarelada da paisagem. "Caminho de Louveciennes". Óleo sobre tela.  54 x 75 cm. Pintado em 1873.








E por fim, um auto retrato do pintor. Alfred Sisley que nasceu em Paris, onde passou a maior parte de sua vida. Era sustentado por seu pai, pois suas obras obras só foram valorizadas após sua morte aos 59 anos de idade.





quarta-feira, 16 de setembro de 2015

7 Dicas para pintar ao ar livre.

Aposto que tem muita  gente que gostaria de pintar ao ar livre mas não o faz porque se sente acanhado ou acha que não vai ficar bom. Tenho um conselho; viva a experiência e não se concentre tanto no resultado nem com que os outros vão dizer. Uma vez que você começar a pintar ao ar livre vai querer repetir a experiência de novo e de novo. Nem se compara com o processo de pintar a partir de uma fotografia, pois as decisões tem que ser tomadas de forma rápida, o que resulta numa pintura muito mais solta e por que não, impressionista.
Quando pintar ao ar livre responda a estas 6 perguntas:

  • Onde está o meu interesse principal?
  • Se eu só puder usar 5 formas, quais serão?
  • Quais são as principais linhas horizontais e verticais e como a luz as está seguindo?
  • Onde está o maior contraste? Onde está o escuro mais denso? Onde está o claro mais brilhante?
  • O que vai ajudar a trazer  observador para dentro da cena?
  • Qual é a temperatura da luz, luz quente ou luz fria?
  • E uma dica: Semi cerrar os olhos, isto ajuda a simplificar a cena e reduzir os valores tonais. Assim pode-se ver mais facilmente as grandes massas e não se distrair com detalhes.
Pronto, espero que ajude. Comece, pratique  e aprenda com os grandes mestres.


 Por exemplo nesta cena onde havia muitos verdes,  tomei um cuidado especial com o valor tonal para não transformar a paisagem em uma cena monótona. Coloquei um escuro bem denso atrás e deixei a frente iluminada. Foto de Valmir Singh.









sábado, 5 de setembro de 2015

Será que são só rabiscos?

Sabe aquela aula que não passa, ou quando você liga para um número e te colocam pra esperar na linha? O que você faz? Aposto que se tiver caneta e papel por perto você começa a rabiscar alguma coisa; e não é que algumas vezes o desenho fica interessante sem querer? Estes desenhos ou rabiscos podem ganhar um toque de genialidade se você os colocar sob uma outra superfície, pode ser uma parede, uma almofada, um abajur, uma sacola, uma capinha de celular, no espelho do banheiro .....as opções são muitas. Já pensou na ideia? Eu fiz isso na minha maleta de pintura. 




Pintei a maleta com tinta óleo e depois de seca fiz os desenhos com uma caneta chamada POSCA. Com esta caneta é possível desenhar sobre qualquer tipo de superfície. 










Escolhi esta imagem da internet só pra mostrar o potencial da ideia. O difícil agora vai ser achar tempo pra colocar em prática.




















Customizar tênis também vale. O que não pode é virar motivo de estresse.